Moçambique poderá se beneficiar de cerca de 75 biliões de USD, caso (…)

Economia, Mercados e Investimentos

24 de Dezembro de 2025 - Num discurso que marcou o encerramento do seu primeiro ano de mandato, o Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou na Assembleia da República, o Informe sobre a Situação Geral da Nação. Perante os deputados e o povo moçambicano descreveu um percurso de resiliência, transição e reconstrução, classificando o actual estado do país como de “confiança renovada, rumo a um desenvolvimento sustentável e inclusivo”.

O Presidente iniciou o seu informe relembrando o contexto adverso em que assumiu a presidência em 15 de Janeiro de 2025. Segundo disse, o PIB era de 4,87% acompanhado por uma inflação que pressionava o poder de compra das famílias.

Contudo, o maior impacto descrito não foi apenas financeiro, mas social. No seu informe detalhou os danos das manifestações, cujo custo total da situação avaliou em 27,4 mil milhões de meticais, entre outros danos. Além disso, Chapo falou dos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que fustigaram o país.

“O que deveria impulsionar o desenvolvimento teve, inevitavelmente, de ser transformado em resposta à destruição”, afirmou o Chefe de Estado, sublinhando que fundos destinados à água e medicamentos tiveram de ser redireccionados para a reparação de escombros.

Reformas e grandes projectos como motores para a independência económica

 No sector dos hidrocarbonetos, o informe destacou que os “grandes projectos energéticos avançam de forma sincronizada”. Embora Chapo tenha focado na visão macro, a coordenação da ENH foi sublinhada na implementação de projectos de gás doméstico, em parceria com gigantes como a ExxonMobil, que financiará um Centro Tecnológico de 40 milhões de dólares no Zimpeto.

A estabilidade nos projectos da Bacia do Rovuma e da TotalEnergies e ENI é vista, pelo Chefe de Estado, como vital para a balança comercial futura.

No domínio industrial, a aposta recai na “Indústria Transformadora”, com a integração de 22 novas indústrias no programa de fortificação de alimentos e o fomento de cadeias de valor que reduzam a dependência de importações. O Presidente mencionou a necessidade de gerir com rigor os recursos de grandes unidades como a Mozal e a HCB para assegurar que a riqueza gerada seja distribuída de forma inclusiva.

Reformas na administração pública e sistema de justiça

 Relativamente a Administração Pública, Daniel Chapo reafirmou o compromisso com a moralização do Estado. No que diz respeito a Tabela Salarial Única (TSU) e ao Subsistema de Carreiras, o informe destacou que, apesar das dificuldades de tesouraria, o Estado garantiu o pagamento atempado de salários, enquanto implementava um “Contrato-Programa” com cada gestor público para exigir desempenho verificável.

Segundo Daniel Chapo, a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital já rende frutos, como a redução de 70 por centos nos atrasos das Linhas Aéreas de Moçambique e a digitalização de serviços através da “Plataforma Única de Serviços do Estado”.

No combate a corrupção, disse que a luta ganhou contornos práticos com a criação da Central de Aquisições do Estado, visando eliminar a sobrefacturação, e a transferência do SERNIC para a superintendência da Procuradoria-Geral da República, garantindo maior autonomia na investigação de crimes como o branqueamento de capitais, que já conta com 426 processos tramitados em 2025.

O Presidente detalhou que, em 2025, o sistema judiciário tramitou 426 processos relacionados com crimes financeiros, um aumento que reflecte não necessariamente mais crimes, mas sim uma maior capacidade de detecção e punição por parte de magistrados e investigadores mais capacitados.

Diplomacia económica e financiamento externo

 No palco internacional, o Presidente apresentou resultados “palpáveis” da sua diplomacia económica, que incluiu 27 deslocações internacionais. O destaque absoluto foi o compromisso de 20 mil milhões de dólares obtidos junto das autoridades do Qatar para infraestruturas energéticas e turismo.

Outros marcos incluem a assinatura de um memorando de 1,8 mil milhões de dólares para o sector da Saúde (2026–2030), o estabelecimento de uma linha de crédito de 500 milhões de euros para investimento empresarial. Falou também da aprovação do Plano de Recuperação e Crescimento Económico avaliado em 2,75 mil milhões de dólares, dos quais 800 milhões são apoio directo à economia e PMEs e a linha de 45,5 milhões de euros para o agronegócio.

Capítulo da segurança e questões sociais

No que toca à segurança, reconhecendo que continua a ser um dos grandes problemas, o informe destacou o combate ao terrorismo em Cabo Delgado e Nampula, saudando o esforço das Forças de Defesa e Segurança e parceiros internacionais no restabelecimento da ordem.

Internamente, o Presidente da República disse que o combate aos raptos registou um avanço, pois dos dez casos de rapto reportados em 2025, nove vítimas já regressaram ao convívio familiar. Ademais houve um avanço técnico com a inauguração do primeiro laboratório de DNA Forense do país.

No âmbito social, Chapo destacou a redução da pobreza de 70 para 40 por cento nas últimas décadas e a distribuição gratuita de 20 milhões de livros escolares. Na saúde, o foco recaiu sobre o combate a epidemias e a melhoria das infraestruturas, com a construção de 18 novos hospitais distritais.

Moçambique poderá se beneficiar de cerca de 75 biliões de dólares americanos

O Presidente projecta um Moçambique onde a “Independência Económica” não é apenas um conceito político, mas uma realidade vivida através da auto-suficiência na produção de bens essenciais e da autonomia financeira.

Para o Chefe de Estado, o futuro de Moçambique assenta num modelo de desenvolvimento que prioriza a transformação local dos recursos naturais, afirmando que o país “não pode continuar a depender da exportação de matérias-primas não transformadas”.

A visão para o próximo ciclo governativo foca na criação de cadeias de valor integradas que gerem empregos qualificados e riqueza distribuída para todos os moçambicanos. Segundo o estadista, a meta é “diversificar a economia, potenciar o conteúdo local, e desenvolver uma plataforma industrial que nos torne menos vulneráveis a choques externos”.

A nível social, a perspectiva é de um investimento massivo no capital humano, visando formar uma “nova geração de moçambicanos qualificados, criativos, disciplinados e preparados para competir num mercado global”.

O Presidente enfatizou que a Independência Económica só será alcançada se cada cidadão, na sua área de actividade, “duplicar a sua produção”, transformando o esforço individual numa vitória colectiva da pátria.

Para o Chefe de Estado, caso todas as promessas de investimento se materializem, o país poderá beneficiar de cerca de 75 biliões de dólares americanos. Este valor é visto como o combustível necessário para que Moçambique se afirme como um “destino seguro e atractivo para grandes investimentos” e continue no caminho de um “desenvolvimento sustentável e inclusivo”. (Ekibal Seda)

Fonte: Integritymagazine

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