“Moçambique tem que parar de viver na dependência”, defende analista político
Saúde da Macroeconomia
MOÇAMBIQUE, 24 de Dezembro de 2025 - No dia 18 de Dezembro de 2025, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, esteve no parlamento para proceder o seu primeiro informe sobre o estado geral da nação e disse no seu discurso que o seu governo herdou um País simultaneamente fustigado pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, assolado pelo terrorismo em algumas zonas do norte da Província de Cabo Delgado, profundamente fragilizado por manifestações violentas, ilegais e criminosas, e com uma economia em recessão.
O estadista moçambicano salientou que quando assumiu o destino da nação, a 15 de Janeiro de 2025, encontrou um país funcional, mas profundamente fragilizado.
No entanto, era um Moçambique assolado por instabilidade social, incerteza económica e um ambiente que ameaçava não apenas o funcionamento do Estado, mas também a confiança do Povo no futuro.
“Os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística mostram que a média anual da inflação de 2024 foi de 3,20%, desacelerando face aos 3,80% de 2023, mas ainda longe de traduzir estabilidade efectiva nos mercados e no custo de vida das famílias, e no quarto trimestre de 2024, período imediatamente após o processo eleitoral o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma contracção severa de 4,87% e em Dezembro daquele ano, a inflação situava-se em 4,15%, reflectindo um ambiente económico tenso, incerto e sem direcção”, explicou o chefe de estado moçambicano enquanto era atentamente era acompanhado por deputados da assembleia da república das quatro bancadas e convidados tendo dito que, em Janeiro de 2025, mês em que tomou posse, o país registou uma inflação mensal de 1,45%, pressionando ainda mais o poder de compra das famílias, segundo Chapo a este quadro económico difícil somou-se o impacto devastador das manifestações violentas, ilegais e criminosas, ocorridas entre Outubro de 2024 e o primeiro trimestre de 2025, que deixaram marcas profundas no tecido económico e social do País.
Para o estadista moçambicano, os actos de vandalização e destruição resultaram em danos avultados a saber: 1.733 estabelecimentos comerciais foram destruídos, incluindo armazéns de medicamentos, fábricas, farmácias, armazéns de ajuda humanitária e instituições bancárias; 339 edifícios públicos também foram durante o período destruídos, entre os quais unidades sanitárias, escolas, tribunais, esquadras, infraestruturas administrativas e sedes de partidos políticos.
Destacou igualmente que Centenas de infraestruturas críticas foram vandalizadas, incluindo 176 postes de energia, 59 torres de telecomunicações, 25 bombas de combustível, 16 portagens, 5 básculas, ambulâncias, viaturas públicas e privadas.
“As manifestações violentas, ilegais e criminosas, forçaram o encerramento temporário ou definitivo de inúmeras empresas, resultando na perda de mais de 50 mil postos de trabalho, reduzindo drasticamente a capacidade de arrecadação de receitas do Estado, esta sabotagem promovida por forças que actuam contra a ordem pública e contra o interesse nacional, tem profundas consequências humanas, psicológicas e materiais, avaliadas em cerca de 27,4 biliões de meticais, os fundos que deveriam financiar novas fontes de água e energia para as comunidades, medicamentos para abastecer os hospitais públicos, carteiras escolares, infraestruturas económicas e serviços fundamentais, tiveram de ser redireccionados para reparar escolas queimadas, hospitais vandalizados, armazéns de medicamentos destruídos e edifícios administrativos reduzidos a escombros, para além de bens privados e de singulares inocentes que investiram e construíram com muito sacrifício”, avançou.
A reparação dos danos das manifestações violentas ainda não está terminada, prevalecem centenas de infraestruturas por reabilitar e ainda há milhares de moçambicanos que precisam recuperar os empregos perdidos. Lia-se no informe do Presidente da República.
“Nós estamos aqui para liderar essa missão e nunca vamos vergar porque juramos, de coração aberto, servir o Povo Moçambicano, o que deveria impulsionar o desenvolvimento teve, inevitavelmente, de ser transformado em resposta à destruição, para superar este quadro adverso, fomos obrigados a fazer diferente, para alcançarmos resultados diferentes, no sentido positivo, não podíamos ficar paralisados pelo desastre nem permitir que a violência definisse o rumo do nosso País e do nosso Povo, unimo-nos ao nosso Povo, agimos com rapidez, pragmatismo e espírito de reconstrução e graças a esse sentido de urgência nacional e à resiliência das comunidades, alcançamos vitórias assinaláveis no restabelecimento dos serviços básicos, na recuperação das infraestruturas destruídas e na estabilização do ambiente político, económico e social”, afiançou o chefe de Estado tendo dito que, no plano fiscal, a Conta Geral do Estado de 2024 registou um défice adicional de cerca de 130 mil milhões de Meticais, criando pressões severas sobre as finanças públicas e limitando a capacidade de resposta às necessidades da população.
Este défice obrigou o Estado a recorrer a mais endividamento, agravando ainda mais a vulnerabilidade económica e social, como se isto não bastasse, o país foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que deixaram um rasto de destruição humana e material, um milhão, oitocentos e trinta e oito mil e duzentas e trinta e cinco pessoas afectadas, 313 óbitos e 1.255 feridos, mais de 414 mil casas destruídas entre parcial e totalmente, e outras 12.853 inundadas, 207 hospitais, 1.822 escolas e 5.969 salas de aula danificadas, mais de 1,2 milhão de hectares agrícolas afectados, com perda total em 97.083 hectares, prejudicando 381.249 agricultores, e 8.194 km de estradas destruídas, 23 pontes, 78 aquedutos e 29 sistemas de abastecimento de água inutilizados.
Sobre as declarações do Presidente da República acima arroladas, a Integrity ouviu o membro da comissão de plano e orçamento na assembleia da república o deputado Mangaze Felizardo, que disse que segundo, mas palavras de Daniel Chapo em 2025, Moçambique registou um crescimento económico modesto na ordem de 2,5% a 2,7% do PIB insuficiente para reduzir a pobreza, criar empregos digno e acompanhar o crescimento demográfico, embora o discurso oficial o terrorismo, as manifestações pós-eleitorais e as adversidades climáticas como principais causas das dificuldades económicas esta leitura é tecnicamente incompleta, esses factores agravaram a situação, mas não explicam por si só a fragilidade estrutural da economia marcada pela dependência de maga projectos extractivos, fraca industrialização elevada informalidade e baixa produtividade a inflação manteve se relativamente controlada entre 4% e 5%, mas o custo de vida continua elevado sobretudo para as famílias de baixo rendimento.
“Mais de 70% da população activa, continua na economia informal, evidenciando que o problema central não é apenas o crescimento, mas a sua qualidade e capacidade de gerar inclusão social”, confidenciou tendo concluído que, a elevada dívida pública continua a restringir o investimento em sectores estratégicos como educação, saúde e infraestruturas produtivas culpar exclusivamente o terrorismo, as manifestações e o clima e negligenciar as causas internas da crise e representam uma tentativa de estado de fugir as suas responsabilidades históricas, os cheques internos agravaram a situação, mas não criaram o problemas o desfio central continua a ser a reforma do modelo e da governação para transformar o crescimento estatístico no desenvolvimento real.
Daniel Francisco Chapo afirmou que a visão que orienta este mandato exige decisões estratégicas, disciplina macroeconómica, reformas, investimentos estruturantes e uma gestão rigorosa dos recursos.
“A Independência Económica não é um slogan político, é um projecto nacional de transformação profunda, que passa pela industrialização e aposta na economia produtiva, é precisamente por esta razão que, criámos ao nível da Presidência da República, o Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos”, sublinhou.
O Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos é uma instituição concebida para assegurar a coordenação, a monitoria e o acompanhamento permanente das reformas que visam melhorar o ambiente de negócios, acelerar a implementação dos projectos estruturantes e garantir que cada decisão estratégica se traduz em resultados concretos para o desenvolvimento do nosso País e este primeiro ano de governação foi dedicado a lançar os alicerces desta transformação.
“Hoje, apresento com clareza o que foi feito para preparar Moçambique para uma década de crescimento, industrialização e modernização sem precedentes, criação do Banco de Desenvolvimento e outros instrumentos de financiamento, prometemos e está em curso a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, uma instituição estratégica destinada a financiar projectos estruturantes, apoiar investimentos produtivos e alavancar a industrialização nacional, no horizonte de 12 meses, poderá entrar em funcionamento esta instituição que preencherá uma lacuna histórica para dinamizar indústrias, transformar a agricultura e estimular novas cadeias de valor”, prometeu Chapo.
O governo moçambicano, de acordo com o informe do Presidente da República, criou o Fundo de Desenvolvimento Económico e Local (FDEL), que, rapidamente, se tornou um dos instrumentos mais transformadores da economia distrital e municipal. Com uma dotação de 824,6 milhões de meticais, sendo 60% destinados à juventude, o FDEL aproxima financiamento, capacitação e oportunidades dos empreendedores locais.
O chefe de estado defende que como princípio fundamental, o único requisito para aceder ao FDEL é ser moçambicano, independentemente da sua orientação política, religiosa ou género, e não existe nenhuma taxa para concorrer ao fundo e qualquer tentativa de cobrança deve ser imediatamente denunciada porque este Governo não tolerará práticas que atentem contra a integridade e prejudicam o Povo.
“Este ano houve grande procura de financiamento por via do FDEL, por isso, já decidimos que no próximo ano, vamos duplicar os valores, com a ressalva de que os que beneficiaram este ano, próximo ano não serão abrangidos, para ampliar o alcance do financiamento local, encontra-se em fase de operacionalização o Fundo de Garantia Mutuária (FGM), que permitirá a partilha de riscos entre o Estado e as instituições financeiras, facilitando o acesso ao crédito para Pequenas Médias Empresas, agricultores, jovens empreendedores e produtores rurais”, garantiu Daniel Francisco Chapo.
Durante o mandato em curso milhares de iniciativas produtivas poderão finalmente obter financiamento que antes lhes era negado pelas dificuldades de apresentação de garantias, o governo criou também o Fundo de Recuperação Económica (FRE), com uma dotação inicial de 319,5 milhões de Meticais, para apoiar Micro, Pequenas e Médias Empresas afectadas por choques económicos e desastres naturais, como as manifestações pós-eleitorais ou os ciclones, este fundo abriu janelas de oportunidade para sectores vulneráveis, protegendo empregos, revitalizando negócios e reforçando a resiliência económica local.
Lançou-se também o Fundo Catalítico, com um orçamento inicial de 100 milhões de dólares americanos, destinado a fortalecer ligações económicas, criar mercados, apoiar cadeias de valor e impulsionar a competitividade nacional.
Complementarmente, disponibilizou-se uma janela de financiamento de 17 milhões de dólares americanos para inovação e demonstração nas províncias de Manica, Sofala, Gaza e Inhambane, com enfoque no agro-negócio, turismo e construção, sectores com elevado potencial de geração de emprego e crescimento sustentável.
Nesse quesito, o activista social e agora apresentador de televisão Sismo Eduardo Muchaiabande, é de opinião que, a independência económica é a capacidade de um indivíduo, família ou nação de se sustentar financeiramente, cobrindo as suas despesas e mantendo o padrão de vida desejado sem depender de um salário fixo, ajuda externa ou trabalho por obrigação, por meio de rendimentos passivos, investimentos ou autossuficiência.
Para pessoas, significa ter liberdade de escolha sobre trabalhar ou não, enquanto para nações, implica não ser subordinado por interesses externos e tomar decisões autónomas, como visto em Moçambique, que busca gerir os seus recursos e não depender excessivamente de financiamento externo para o desenvolvimento. “Mas Moçambique está muito distante de alcançar a tal independência económica, é dependente de apoios externos, dívidas com FMI entre outros países do mundo, até ser perdoado dívida com Angola, isso demonstra claramente estar muito distante da tal independência económica, por outra ou não sabem o que é independência económica”, explicou.
O activista social acrescentou que, a formação do homem não é no âmbito da economia é importante assim que nós tenhamos em Moçambique pessoas formadas, mas enquanto Moçambique continuar na dependência externa e não pautar pelo uso de forma racional os recursos existentes para responder à qualidade de informação e identificar os seus problemas e sem imposição da mão externa que é dos financiadores para de certa forma resolver os problemas, portanto nós não poderemos fazer nada em nenhum dia vamos ter qualidade na época que nós estamos é normal alguém nível médio com certa dificuldade de leitura é normal alguém do nível médio dificuldade de escrita isto é o reflexo da quantidade não qualidade.
“Porque ele sabe que enquanto nós tivermos qualidade não estaremos a solicitar a mão deles, portanto o meu posicionamento é que Moçambique tem que parar de viver na dependência, aí é que nós teremos qualidades em termos de formação e que nós vamos Desenvolver economicamente”, sentenciou. (Pedro Tawanda)
Fonte: Integrity

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