Países africanos reagem à captura de Nicolas Maduro

Política - Venezuela

África do Sul e Gana condenaram ataque norte-americano que culminou com detenção de Nicolas Maduro. CEDEAO e União Africana evitam condenações. Vários países, entre os quais Angola, enviaram mensagem de apoio a Caracas.

Forças militares norte-americanas capturaram o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher, a congressista Cilia Flores. Foto: REUTERS.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) reconheceu, esta segunda-feira (05.01), o direito dos Estados de combater o crime internacional, após o o ataque norte-americano à Venezuela.

Em comunicado, a organização apelou simultaneamente ao respeito pela soberania e integridade territorial do país, tal como consagrado no direito internacional, especialmente na Carta das Nações Unidas.

O bloco regional africano constituído por 12 membros disse ainda que apoia integralmente a declaração da União Africana (UA) que apelou à moderação e ao diálogo inclusivo com o povo venezuelano. 

Num comunicado divulgado na noite de sábado, a União Africana também não condenou diretamente a agressão dos Estados Unidos, embora tenha afirmado que os problemas internos da Venezuela devem ser resolvidos através do diálogo.

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Yván Gil PintoMinistro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Yván Gil Pinto
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela fez saber que recebeu mensagens de apoio de Angola, Namíbia, Burkina Faso, Libéria, Chade, Níger, Gâmbia e BurundiFoto: Leonardo Fernandez Viloria/REUTERS
"A União Africana reafirma o firme compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, em particular o respeito pela soberania dos Estados, a sua integridade territorial e o direito dos povos à autodeterminação, tal como consagrados na Carta das Nações Unidas", indicou a UA no comunicado.

A organização pan-africana sublinhou "a importância do diálogo, da resolução pacífica dos litígios e do respeito pelos quadros constitucionais e institucionais" num quadro de "cooperação e coexistência pacífica entre as nações".

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Ataque mina "princípio da igualdade entre as nações"
Já o Governo da África do Sul foi mais contundente, sublinhando, em comunicado, que estes acontecimentos "minam a estabilidade da ordem internacional e o princípio da igualdade entre as nações".

Também o Governo do Gana condenou o "uso unilateral da força" por parte dos EUA contra a Venezuela, considerando que as declarações de Trump "evocam a época colonial e imperialista e estabelecem um precedente perigoso para a ordem mundial".

Num comunicado, o Executivo pediu ainda a libertação do chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro.

"O Governo do Gana acompanha a situação na Venezuela com grande preocupação e sublinha que tais ataques ao direito internacional, as tentativas de ocupação de territórios estrangeiros e o aparente controlo externo dos recursos petrolíferos têm implicações extremamente adversas para a estabilidade internacional e a ordem mundial", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros na nota.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Yván Gil Pinto, revelou através das redes que recebeu mensagens de apoio de Angola, Namíbia, Burkina Faso, Libéria, Chade, Níger, Gâmbia e Burundi.

No sábado, as forças militares norte-americanas realizaram um ataque contra a Venezuela, capturando o Presidente do país, Nicolás Maduro, e a mulher, a congressista Cilia Flores. Maduro e Flores foram transferidos para o Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova Iorque, Estados Unidos, e devem comparecer hoje pela primeira vez em tribunal, onde vão enfrentar várias acusações relacionadas com tráfico de droga e corrupção.

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Fonte: Dw, português para África 

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